segunda-feira, 21 de junho de 2021

DA BANCADA, COM IRRITAÇÃO

 

Eramos bestiais inquestionáveis mas, depois do jogo de Sábado, a seleção passou a ser essencialmente vista como constituída por um bando de bestas. O nosso incorrigível e eterno desequilíbrio a ficar mais uma vez ridiculamente patente!

 

Mas lá que levamos um banhito de bola, lá isso levamos. E se é certo que os alemães são melhores enquanto equipa madura e estável, a nossa padece ademais da tremedeira permanente de Fernando Santos (sempre para mim o “engenheiro do penta”, ele que até só ganhou o quinto!). De facto, o alinhamento da equipa foi simplesmente miserável (dois trincos, um deles pesadíssimo; um defesa direito medíocre — permitindo que Robin Gosens tenha dele feito gato-sapato e conseguido a sua vingança sobre CR7 a propósito de uma troca não consentida de camisolas em jogo entre a sua Atalanta e a Juventus — e sem contar com o apoio do extremo do seu lado, um Bernardo Silva que já não corre atrás, talvez em virtude da época muito esforçada a que foi sujeito; um médio carregador de jogo, Bruno Fernandes, também cansado e sem criatividade, decerto pelas mesmas razões).

 

Agora que a azia impera, o “inteligente” já anuncia mudanças, não porque alguma coisa esteve mal mas porque é preciso refrescar! E lá vamos ter na Quarta-Feira Renato Sanches e João Moutinho a jogar de entrada, acho eu. Claro que não consigo antever Fernando Santos a mexer nos laterais e a fazer entrar os jovens Diogo Dalot e Nuno Mendes  o que se justificava. E também não me parece que o homem saiba como aproveitar as capacidades indiscutíveis de Ruben Neves ou João Palhinha (saindo William) ou a velocidade e técnica de João Félix (como principal suplente atacante a utilizar, ao invés do vulgar Rafa).

 

De qualquer modo, o tal “cu virado para a lua” que é apanágio de Santos já hoje deu novos sinais, com a Finlândia e a Ucrânia a ficarem terceiros dos seus grupos com uma diferença de golos pior do que aquela que resultará de uma derrota nossa por dois perante a França. Assim sendo, só se levarmos três dos coqs ou a Hungria ganhar à Alemanha é que nos livramos de mais uns dias de “ditadura do futebol”, nos termos que Miguel Sousa Tavares tão bem ilustrava no último “Expresso”: “Queria que o futebol fosse apenas aquilo que devia ser: uma parte de descompressão e alegria nas nossas vidas e na vida do nosso país. E não a parte mais importante das nossas vidas e da existência de Portugal.”

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