terça-feira, 21 de novembro de 2017

NO JAMAICA IN


(Klaus Stuttman, http://www.tagesspiegel.de)

Quase dois meses transcorridos desde as eleições e quase seis semanas de negociações tripartidas depois, a hipótese de serem encontradas bases para uma coligação generalizadamente batizada de “Jamaica” (dada a coincidência das cores combinadas dos três partidos em causa – democratas-cristãos, liberais e verdes – com a bandeira daquele país) parece ter falhado na Alemanha. Apesar de alguns pontos de acordo obtidos (reforço da segurança interna, limites ao endividamento ou melhoria das infraestruturas digitais, p.e.), o principal ficou por lograr – sendo de convir que não era de todo fácil compatibilizar as exigências verdes em matéria de direitos dos imigrantes com as recusas de uma direção liberal que é a mais estrita que o país conheceu de há muito tempo a esta parte, para só referir um tema de divergência profunda. E agora, pergunta-se? Dizem os mais maldosos que Merkel tem andado à procura de um Schulz que se deu por mais ou menos desaparecido em combate, mas sabe-se que a verdade é que o SPD se pôs de fora de qualquer “grande coligação” desde a primeira hora pós-eleitoral. Pelo que as verdadeiras alternativas estarão numa nova ida às urnas ou em renovados esforços no sentido de se voltar à mesa negocial – a eficácia destes depende, sobretudo, de se tornar claro que a AfD pode ser a maior ganhadora de um novo processo eleitoral. Em qualquer caso, o impasse está claramente instalado e a chegada de uma solução está para durar – com custos manifestos para os caminhos da Europa...

(Klaus Stuttman, http://www.tagesspiegel.de)

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