segunda-feira, 15 de abril de 2019

NOVOS ROSTOS DA POLÍTICA ESPANHOLA



(Numa campanha eleitoral ao rubro, em que pode discutir-se se a semana santa entra na política ou o seu contrário, há uma regularidade que compara positivamente com Portugal, a emergência de novos rostos para o combate político. E o que é ainda mais relevante é a revelação da mulher nessa emergência.)

Xosé Luís Barreiro Rivas tem uma crónica no seu estilo truculento na VOZ de GALICIA (link aqui) sobre a inusitada coincidência da campanha eleitoral com a semana santa de tanta expressão em Espanha. Estou com ele e com a sua conclusão de que a solidez da democracia espanhola vai aguentar bem essa coincidência e que os espanhóis mais devotos saberão separar as águas.

Mas na vertigem da campanha com toda a gente a querer morder os calcanhares de Pedro Sánchez há novos rostos que se perfilam e, como seria de esperar dadas as características da sociedade espanhola, alguns com uma autenticidade que já não se vê muito neste mundo do politicamente cada vez mais correto.

Adriana Lastra, vice-secretária geral do PSOE e candidata pelo partido nas Astúrias é um desses rostos que vai desfiando energia de aço mineiro ou não seja ela alguém que se formou politicamente no interior da consciência sindical mineira das Astúrias. Adriana acompanhou Pedro Sánchez no período de recuo da vida política para ganhar força para um regresso de resistente e compreende-se que esses traços de consciência mineira foram decisivos para dar força ao líder para o combate primeiro no interior do PSOE derrotando Susana Diáz e depois vencendo a moção de censura a Rajoy que o levou ao poder que defende hoje com unhas e dentes.

Numa entrevista recente ao El País (link aqui), impressionou-me a sua determinação e sobretudo a sua resposta à questão suscitada pelo jornalista sobre o facto de não ter educação superior. Em tempos estranhos como os de hoje, em que se plagia, se inventam formações à discrição, se envolvem universidades prestigiadas em grandes argoladas de favor a políticos, se viciam curricula, se alimenta a má consciência e outras investidas palacianas, ver alguém que assume a sua não formação superior e não parece ver a sua ação política desvalorizada por esse motivo é necessariamente alguém a seguir com atenção.

Vejam como ela responde a uma das questões do jornalista:

“Es más roja que su chupa?
Soy muy de izquierdas, muy roja, sí. Tanto o más que mi chupa.”

Chupa: peça de vestuário tipicamente espanhola, creio que de origem flamenga.

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