terça-feira, 9 de março de 2021

NO DIA DA SEGUNDA POSSE

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

Marcelo tomou posse numa cerimónia obviamente limitada pela pandemia mas condigna o suficiente para marcar simbolicamente o essencial. Tudo esteve dentro da previsibilidade, portanto, incluindo a qualidade formal dos discursos (o principal e o de Ferro Rodrigues, sempre mais fixado do que possa parecer). Sublinhou Marcelo que era a mesma pessoa, assim tendo querido deixar a promessa implícita de um mandato feito de estabilidade e nenhuma tolerância em relação a quaisquer tentativas de brusquidão institucional e política (Deus queira!).

Abstraindo daquela coisa do “pode alguém ser quem não é” que leva Marcelo a fazer piscinas que cansam só de ver, a procurar selfies sem parança e a pronunciar-se sobre tudo e nada e a propósito ou sem ele... Pena também que Marcelo tenha tão boas ideias em geral quanto alguma incapacidade efetiva para as concretizar de modo adequado e eficaz (o caso de ir ensaiar um controlo da “bazuca” é uma evidência recente disso mesmo e Costa já aí está a louvar a “solidariedade estratégica”). Sabemos, contudo, que teremos um alto magistrado da Nação capaz de nos representar externamente com a devida respeitabilidade e decência comportamental e capaz de nos representar internamente com a devida moderação e energia mobilizadora – e isso será talvez o mais importante!

Uma nota para o fim de festa, que teria sido de algum modo beliscado pela fuga aos cumprimentos por parte do antecessor Cavaco – exatamente na semana em que viera fazer uma absurda prova de vida declarando “amordaçada” a nossa democracia – não fora a completa desvalorização de que este já goza no seio de uma sociedade portuguesa que tão misteriosamente o manteve à tona durante três décadas.

Venham, então, mais cinco...

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt)

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