quarta-feira, 25 de março de 2020

DUAS MULHERES E UM HOMEM



Em finais de 2017, a Diretora-Geral da Saúde Graça Freitas herdou um lugar difícil ao suceder a doze anos de um Francisco George hiperativo e muito interventivo, além de também competente no exercício da função. Longe estaria a senhora de que se iria tornar repentinamente, e pelas piores razões, uma figura pública de imenso destaque e visibilidade. Com efeito, e no decurso da crise que estamos a viver, a sua presença serena e pedagógica junto dos portugueses em sucessivas declarações e conferências de imprensa tornaram-na um elemento obrigatório dos nossos dias informativos e, assim, tributária de uma enorme gratidão junto da maioria da nossa comunidade cidadã, muito frequentemente ao lado de uma ministra que até nem era especialmente bem vista aos olhos da opinião pública nacional – diga-se que largamente por razões alheias a ela própria, razões mais eminentemente financistas e hoje tendencialmente encaradas como cegueira pura e simples – ou, em substituição, de um secretário de Estado (António Lacerda Sales) desconhecido mas eficaz na convicta moderação de um discurso que é consonante com o que a situação exige. Independentemente do que possa dizer este ou aquele (pseudo)especialista sobre a ação dos responsáveis da área da Saúde ao seu mais alto nível durante todo este período e confrontados com decisões nem sempre fáceis de tomar em tempo real, conto-me entre os que estarão para sempre gratos a governantes e altos funcionários que assim tão bem têm sabido interpretar o sentido último das suas obrigações de serviço público.


Mudando de registo, sem mudar de assunto, também António Costa tem sido um esteio no papel de chefe de um governo a braços com a maior crise nacional e global da era contemporânea. Os portugueses reconheceram-no, aliás merecidamente, em sondagem ontem divulgada (atribuindo-lhe 75% de confiança depositada na sua resposta à crise pandémica, sendo 92% à esquerda e ficando sempre à frente do Presidente da República). Resta desejar que António Costa resista fisicamente à pressão a que está sujeito e ao cansaço que decorre de ser a cara de um governo com poucas alternativas para uma dobragem que seria certamente útil e desejável em alguns momentos e matérias. Não querendo ir mais longe neste louvor ao primeiro-ministro, algo que não tem sido regra neste espaço, limito-me a assinar por baixo o parágrafo que Miguel Sousa Tavares lhe dirigiu na sua coluna do último “Expresso” e que de seguida reproduzo conjuntamente com dois outros excertos relevantes para a pequena grande história destes dramáticos dias.

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