quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

NOVOS CUSTOS DE CONTEXTO

 
Quem ande pelas ruas deste país não pode deixar de sentir o súbito surgimento do “homem novo” que Gaspar e Passos redentoramente prometeram. Já não há bica nem jornal que escapem ao papelito probatório, se necessário com o nome do cidadão e o respetivo número de identificação fiscal. Mas, enquanto as empresas de celulose e pasta para papel ou as de máquinas registadoras e software agradecem reconhecidas mais este relevante contributo para o seu volume de negócios, o homem da rua e o comerciante mostram-se pasmados com tão acéfalo acesso de legalidade e lá vão explicando, conformadamente inconformados, quanto ele é burocrático, inútil e discriminatório. Ou seja, quanto ele significa em termos de manifesta exibição de desrespeito e abuso por parte de alguns génios poderosos que, agindo em nome de um liberalismo interpretado de modo muito próprio, levam ao limite o “Estado no seu pior”!
 
Não querendo elaborar muito mais nesta matéria ou similar – e os exemplos brotam como cogumelos! –, juntarei apenas que por estes dias me apercebi melhor do arrepiante absurdo da chamada questão dos duodécimos. Nascida algures na decorrência daquela ideia peregrina da TSU que assaltou os mesmos crânios governativos no ano transato, vejamos quanto a mesma também não tem ponta por onde se lhe pegue: as empresas privadas estão a ser confrontadas com a necessidade de se ajustarem a uma decisão dos seus colaboradores – apenas válida para 2013 – quanto ao eventual pagamento em duodécimos de metade dos subsídios de férias e de Natal, sendo que as outras metades permanecem devidas nos momentos habituais. Ou seja, nem se trata de cumprir um objetivo (discutível mas legítimo) de aliviar a tesouraria das empresas por via de uma integração definitiva dos subsídios no salário mensal nem se trata de uma regra dirigida a facilitar a vida interna das empresas, já que os seus procedimentos de processamento salarial se tornam agora necessariamente mais complexos para poderem corresponder às diferentes modalidades remuneratórias.
 
Eis, pois, um Portugal híper-renovado! Onde tudo é mais provisório, mais aleatório, mais enredado…

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