terça-feira, 16 de abril de 2024

FULGURANTE INCURSÃO PASSISTA

(Henrique Monteiro, http://henricartoon.blogs.sapo.pt) 

Afinal, o que quer Passos? O que quer ele ser ou não ser? De facto, this is the questionHá quem opine que o homem quer federar a Direita toda, assim se diferenciando do “não é não” de Montenegro em relação ao “Chega” – ou seja, enquanto este sonha em conseguir reforçar a sua base eleitoral e parlamentar para seguir no poder, o dito talvez já se tenha resignado à ideia de uma candidatura presidencial e quer concretizá-la bem longe do centro político e de qualquer consonância com o socialismo; daí a justificação do “chega para lá” que dedicou com rudeza a Paulo Portas (que acusa de não gozar de confiança junto dos senhores da Troika). Outros consideram que Passos ainda estará a jogar alguma cartada que o possa levar à sucessão de Montenegro, para o que uma assídua demarcação face a este se torna imprescindível (além de rezar com fervor); quadro em que a referência a Paulo Portas perde sentido justificativo e talvez não mais releve do que de uma pequena vingança servida fria. Mas há também aqueles que entendem que o atual problema de Passos resulta somente de um mix de perturbação pessoal (e realmente as adversidades da vida familiar não têm sido nada fáceis para ele...) e de forçada afirmação política reacionária (num carregar das tintas que decorre, por sua vez, de um misto de disfarçada mediocridade intrínseca com a vivência de um difícil envelhecimento em solidão). Seja como for, o que apostaria desde já é que Passos, se é que alguma vez foi promessa de coisa alguma em Portugal (o que é, a meu ver, bastante duvidoso), se encaminha a passos largos para a irrelevância política que sempre calha a quem rebenta de ambição fingindo nada querer e tudo poder.

Sem comentários:

Enviar um comentário