quarta-feira, 18 de maio de 2016

ATÉ JÁ BORIS TEM DIAS...

(Christian Adams, http://www.telegraph.co.uk)


Boris Johnson, o pouco convencional político conservador que surpreendeu em 2008 ao tornar-se mayor de Londres vencendo o prestigiado Ken Livingstone e que acaba de abandonar tais funções após dois mandatos, é uma das principais e mais combativas caras e um dos ideólogos mais determinantes e consistentes do Leave no referendo britânico sobre a permanência ou não na União Europeia (UE).

Sem prejuízo da afirmação anterior, também ocorrem ao homem momentos maus, sejam aqueles em que martela alguns factos e números para os tornar mais compatíveis com a sua realidade e opções sejam aqueles outros em que se entusiasma e deixa que o discurso inflame e descambe. Um exemplo deste último tipo sucedeu há dias, quando chamou Hitler e Napoleão à campanha para procurar assemelhar as respetivas pretensões passadas de unificação europeia ao que considera ser o traço mais marcante do atual projeto da UE, a imposição de um “superestado”.

(Morten Morland, http://www.thetimes.co.uk)

Mas numa meio de muita demagogia e de várias manifestações de falta de rigor, com as quais vivo sem grandes angústias, Boris também vai largando algumas verdades que me afetam bem mais, por um lado pelo que representam em termos da escala da deriva europeia que se vem produzindo – o Euro como materialização de um takeover alemão ou veículo de destruição do poder industrial de vários países, Itália à cabeça – e, por outro lado, pela embaraçosa proximidade de leituras que assim objetivamente me acontece em relação a um político populista de quem antes praticamente tudo me separava.

E assim me vejo levado a admitir uma fundada dúvida em torno do que de melhor poderá resultar do dito referendo: porque se o “Brexit” pode vir a tornar-se numa perigosa e destrutiva caixa negra (ou, pelo menos, numa confusão à la carte em que ninguém se vai conseguir entender), o Remain pode também vir a traduzir-se na continuidade de uma paz podre que não consigo descortinar como minimamente suscetível de evoluir num sentido autocorretivo e que permita evitar um desastre maior – ora, às vezes embora nem sempre, as chicotadas psicológicas surtem efeito...


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