quinta-feira, 28 de outubro de 2021

HÁ QUE O DIZER!

(José Maria Pérez González – “Peridis”, http://elpais.com)

Há um dado que só timidamente foi por cá chamado à colação no quadro da negociação das alterações ao Código Laboral entre o Governo e os partidos à sua esquerda (PCP em especial). E esse é aquele que tem vindo a estar invariavelmente presente nas notícias gordas relativas ao fecho do PRR espanhol com Bruxelas, ou seja, a vinculação desse fecho a obrigações reformistas a comprometer pelo país beneficiário até meados de novembro (designadamente no plano da reforma laboral e do chamado mecanismo intergeracional das pensões) — como escrevia o “El País”, el Gobierno firmará un contrato con la Comisión Europea para controlar las ayudas y reformas. Por cá, ainda houve quem falasse a dada altura de vinculações do mesmo tipo, obviamente existentes, mas como a transparência não abunda... Agora que o processo de aprovação do Orçamento do Estado está encerrado, importará então sublinhar que, embora nunca o tenha dito deste modo, António Costa tinha certamente na sua agenda negocial a necessidade imperiosa de não ultrapassar linhas vermelhas que pudessem vir a questionar a sua credibilidade, e o financiamento do seu governo, no concerto europeu. Factos são factos, coisa diversa são os modos como queiramos lê-los e avaliá-los.

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