sexta-feira, 11 de maio de 2012

CRISE IMOBILIÁRIA (II)



Por gentileza do Álvaro Domingues, podemos hoje tomar contacto com mais uma diatribe da sua desconcertante maneira de ver a crise urbana, o caos, os mix mais surpreendentes de funções e usos, em suma o impacto no território do apogeu e agonia de um modelo de crescimento.
A história fala de cabras, cabrinhas, carneiros, cabrões, numa sequência geral em que estamos todos a ficar cabreados por todos estes processos que invadem as nossas condições de vida.
Aqui vai:
“Esta em primeiro plano sou eu, a cabra. O pasto é uma porcaria e eu estou grávida. Já sei que é uma imprudência nos tempos que correm mas é a vida. Foi um cabrão. A vida é uma carneirada. Aquelas nove ovelhas não são menos tolas que eu; convenceram-me a comprar uma daquelas casas em banda porque o curral estava um esterco e quando chove não se pode estar no pasto por causa da humidade e da artrite reumatóide. Começou tudo muito bem. As casas são lindas, perto do pasto e com vistas para o campo. O projecto de paisagismo para os arranjos dos espaço exteriores é do melhor: muros aparelhados em pedra de junta seca; esteios re-usados de uma vinha metafísica; caminhos em saibro e muito espaço verde (ralo). As casas nunca foram acabadas; passaram diretamente para o estado de vandalismo. Estão sequinhas reduzidas a betão, sem caixilharias, vidros, nem loiça de quarto de banho e até os fios da instalação elétrica foram para o gang do metal.
O banco fez um leilão com as casas. Foi tudo comprado por um músico alemão que diz que uma de preto e outra de branco dá um belo teclado. A nossa casa parece que vai ser um fá sustenido! Tem outras notas mas mete dó."

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