quarta-feira, 20 de abril de 2016

A DESVANTAGEM DE FICAREM


O contador está em marcha acelerada para o referendo britânico à União Europeia. Num quadro em que a maioria das posições que vão sendo tornadas públicas são relativamente claras e extremadas: ou se reconhece o contributo maioritariamente positivo da construção europeia para o Reino Unido (ou a incomportável imprevisibilidade de um abandono), caso em que se defende um voto de remain, ou se é essencialmente soberanista e antieuropeísta, caso em que se aponta um voto de leave.

É aqui precisamente que reside o interesse da heterodoxa posição que tem vindo a ser sustentada pelo conhecido economista pró-europeu Paul de Grauwe – citando: “O que eu temo se o campo ‘remain’ ganhasse: a hostilidade da elite política e dos meios de comunicação social, aqui neste país, não diminuiria. Pelo contrário, iria intensificar-se e a estratégia seria a de desconstruir a União Europeia a partir de dentro. Se o campo ‘remain’ ganhar, sim, o Brexit não seria possível mas, em seguida, poder-se-ia tentar desconstruir a União Europeia a partir de dentro e alcançar o objetivo de transferir de volta a soberania de Bruxelas para Westminster agindo do interior. Se esse for o caso, o resto da União Europeia não tem interesse em que o Reino Unido permaneça na União, sendo então preferível que eles saiam e nós tentemos chegar a um acordo...”. Ou seja: o professor da LSE valoriza sobretudo o forte receio que o invade quanto à hipótese de uma permanência europeia dos britânicos acabar muito provavelmente por conduzir a um recrudescimento da hostilização eurocética no Reino Unido e, assim, a um consequente dificultar no seio da União dos ambiciosos e clarificadores passos de que o projeto de integração europeia necessita. Um argumento que talvez possa ser considerado menos rebuscado do que parece à primeira vista...

(Jonathan McHugh, http://www.ft.com)

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