terça-feira, 2 de junho de 2015

FINLANDESES E NÃO VOADORES

(Paul Krugman, aqui)


(Onde se confirmam os constrangimentos da zona euro, não exclusivos dos membros da Europa do Sul)

Em tempos em que ainda se ouvem os motores do Rali de Portugal, regressado a norte com promessas de elevado retorno económico, poderíamos ser tentados a pensar nos finlandeses voadores, ou seja nos pilotos do nosso imaginário, intrépidos e aparentemente frios finlandeses, não apenas na neve mas em qualquer tipo de pista.

Mas não é desses finlandeses que o post trata. Trata-se antes de, à boleia de duas reflexões de Krugman, materializadas em dois gráficos como sempre sugestivos, dar conta dos problemas da economia finlandesa em assegurar uma recuperação saudável e sustentada face aos acontecimentos de 2007-2008. Estas dificuldades têm significado especial numa economia conhecida por aspetos diferenciadores e favoráveis de boas condições de competitividade, como o são a sua política tecnológica e também a sua política educativa e níveis elevados de qualificação de mão-de-obra.

O primeiro gráfico (ver abaixo) revela que a Finlândia é uma simples economia entre outras que viram o seu rendimento per capita descer acentuadamente entre 2007 e 2014, evidenciando bem em que medida o choque não atingiu apenas as economias do sul, mas também economias representativas do outro lado da zona euro.

 (Paul Krugman, aqui)

O segundo gráfico (ver gráfico inicial) compara as duas últimas recessões por que a economia finlandesa passou a de 1990 e a atual. A recessão atual finlandesa confirma o que se tem dito e não compreendido acerca da recuperação bastante mais agónica e lenta, relativamente à recessão de 1990. O rendimento per capita finlandês tarda em atingir o valor pré-crise, mostrando que nem os finlandeses voadores resolveram o problema. A descida acentuada da produtividade da indústria transformadora finlandesa, com reflexos na subida do custo unitário em trabalho e os problemas estruturais que as telecomunicações (o que tu prometeste NOKIA!) e a transformação de produtos florestais hoje enfrentam fazem talvez os finlandeses aspirar pela capacidade de desvalorização da moeda que já tiveram e de que abdicaram com a entrada no euro. A narrativa dos principais líderes finlandeses relativamente às economias do sul precisa de ser revista face às suas próprias dificuldades, aponta para os contrangimentos do euro como modelo e recomendaria um pouco mais de solidariedade para com os mais endividados.

Voadores? Nem vê-los.

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