quarta-feira, 10 de junho de 2015

UMA FRONDA NO SOCIALISMO EUROPEU



Ainda há poucas horas aqui se falava de um dos muitos problemas que se vão acumulando em torno dos socialistas e social-democratas europeus e eis que os acontecimentos do dia no Parlamento Europeu, reunido na sessão plenária de Estrasburgo, vieram dar nota do desconfortável grau de desunião e da falta de capacidade de afirmação que grassa nas hostes do correlativo Grupo dos Socialistas e Democratas.

O tema é mais um daqueles “números” que marcam a agenda da “grande coligação” ali reinante, sub-repticiamente aquando da instalação da Comissão Juncker e agora já abertamente, por obra e graça dos interesses expressos pelos chefes Schulz e Pitella. Trata-se do já aqui abordado TTIP (nomeadamente, no meu post de 21 de novembro de 2014), um tópico que tem os seus méritos mas que carece de tempo e de uma liderança forte para convencimento de largas franjas dos socialistas europeus, especialmente por força das posições muito radicalmente críticas à sua esquerda e de algumas delegações nacionais em linha com uma inusitada mobilização contrária de largos setores da opinião pública europeia.

Ora, a viabilização de um tratado transatlântico faz parte do acordo da “grande coligação alemã” e, ao que parece, Schulz ter-se-á comprometido com Juncker e o PPE no sentido de um voto viabilizador dos S&D. Ainda nos preliminares, relacionados com a questão da instância judicial associada, o presidente do Parlamento Europeu viu-se ontem confrontado com o enormíssimo número de mais de 200 emendas vindas do interior do seu grupo e assustou-se. Decidiu-se então pelo uso de uma prerrogativa que lhe permite modificar a agenda plenária estabelecida, mas acabou por a colocar a votação na manhã de hoje com o resultado acima evidenciado: um adiamento da votação prevista com 183 votos a favor e 181 votos contra, num quadro em que apenas se exprimiram 401 deputados e com as manchas de posicionamento bem visíveis na imagem (da esquerda para a direita: GUE e Verdes, S&D, ALDE, PPE, ECR e eurocéticos) – veja-se a concentração da cor verde no setor da direita moderada e parlamentar e, sobretudo, a importante percentagem de cores vermelhas juntando muitos socialistas aos partidos dos dois extremos. A coisa promete novos e emocionantes episódios, embora o facto de o PSE ir reunir o seu congresso no próximo fim de semana (em Budapeste) não pareça capaz de trazer uma dinâmica suficientemente estimulante ao partido, seja em termos de ideias diferentes e mobilizadoras seja em termos de introdução de sangue novo numa presidência que vai ser disputada entre o instalado e cinzentão búlgaro Sergei Stanishev e o mais capacitado mas já septuagenário espanhol Enrique Barón Crespo. Melhores dias virão, ou não...

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