terça-feira, 9 de setembro de 2014

TÉDIO, VITIMIZAÇÃO E ALGUMA SOBRANCERIA



Confesso que a disputa interna do PS já entrou para mim em fase de rendimentos decrescentes de motivação desde a tensão inicial suscitada pelo desafio tornado público de António Costa. Para isso muito contribuiu o aparecimento em cena de gente verdadeiramente “empolgante” como António Galamba (AJS) e Marcos Perestrelo (AC), que é conhecida seguramente por muita coisa mas seguramente (costamente também) nada de intelectualmente entusiasmante. Depois, porque se a plêiade de apoiantes de Seguro aponta para um friso de jovens apoiantes que salivam o poder de modo demasiado visível, na frente dos mais velhos apoiantes de Costa há demasiada inércia para meu gosto, com a exceção como é óbvio que está acima de toda estra tralha como Jorge Sampaio.
Por isso, sem grande convicção, lá esperei que o sal dos debates televisivos me pudesse espevitar e justificar a futura deslocação imagino a uma secção partidária onde o simpatizante AMF inscreverá o seu voto.
O debate de hoje não conseguiu espevitar a minha letargia política pós-férias. Tédio foi a primeira associação que me chegou ao pensamento.
António José Seguro tinha uma estratégia anunciada, publicitou-a sem rodeios nas intervenções das últimas semanas, sistematicamente papagueada pelo sempre “brilhante” Eurico Brilhante Dias. A sua intervenção no debate de hoje, aparentemente mais preparada do que a de António Costa, apontou sem surpresas para a vitimização de quem não espera ser arredado da hipótese de comandar o país. Distanciação fora de tempo da governação de Sócrates, promessas grandiloquentes, de demissão até se for obrigado a aumentar impostos, incapacidade de distanciação crítica do memorando ignorando que o contexto da sua aplicação não foi nem de perto nem de longe semelhante ao da sua assinatura. Não são estas as características que julgo serem necessárias para a governação. Seguro revela fragilidades à distância mesmo sem o calor do contexto e não me dá segurança que em pressão tenha nervos de aço necessários à governação, atento às por vezes reduzidas margens da transformação possível. Talvez tenha agradado aos que continuam presos a uma conceção formal do exercício da governação.
Costa não esteve bem, sendo por exemplo bem mais claro num conjunto de ideias que apresentou já fora do debate de saída da TVI. A sua estratégia de obedecer rigorosamente ao timing definido para a apresentação das ideias ao País remetendo para passos posteriores alguns compromissos mais claros tem lógica mas corre o risco de forte penalização. Receio que alguma sobranceria na avaliação do potencial de resposta do seu adversário e fiéis próximos esteja a produzir os seus efeitos. Corre o risco de chegar desgastado ao tal momento de apresentação ao país de propostas mais concretas.
Tédio, vitimização e alguma sobranceria não são propriamente as tónicas de debate necessárias para espevitar a malta.

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