sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

FREITAS VÊ-SE GREGO EM NOME DA EUROPA


Apanhei por acaso a “Grande Entrevista” desta semana na “RTP Informação”, onde Diogo Freitas do Amaral era o convidado de Vítor Gonçalves. Já na parte final da mesma, falando sobre a questão greco-europeia e perante um atrapalhado/embasbacado jornalista que o tentava quanto possível contrariar, foi dizendo de sua justiça, ou seja, o seguinte:
Não, pelo contrário [interpelado sobre se concorda que as negociações entre o Syriza e o Eurogrupo, e o acordo resultante, se podem resumir na frase “entradas de leão, saídas de sendeiro”]. Eu acho que o governo grego – que não é só o Syriza, é também um outro partido, que não é de extrema-direita; nem o Syriza é de extrema-esquerda nem o outro partido é de extrema-direita; o outro partido é constituído por dissidentes da Nova Democracia que há dois anos eram ministros de Samaras, colega do dr. Passos Coelho e do dr. Paulo Portas –, eu acho que as negociações do governo grego foram mais longe do que seria previsível em quinze dias. Ainda não conseguiram tudo, claro (...), eles recuaram muito, mas a Alemanha recuou muito mais.

E ainda mais o seguinte:
Olhe, primeiro, o governo grego conseguiu acabar com o tabu da política económica neoliberal, que não podia ser discutida, não podia ser emendada, não podia ser melhorada, era aquilo e mais nada, e pôs toda a Europa e todo o mundo a discutir os méritos e os deméritos da política neoliberal – primeira vitória. Segunda vitória: o governo grego conseguiu que o BCE, antes ainda de chegarem a acordo, lhe desse mais oito mil e quinhentos milhões de dólares para a banca grega, que era o que eles precisavam para aguentar estes quatro meses. Depois, conseguiu dobrar a Alemanha, que não queria nenhum acordo, queria excluir a Grécia do Euro, foi obrigada a engolir, foi obrigada a aceitar um acordo, e mais, teve que fazer uma jogada muito hábil em que a senhora Merkel pôs o seu ministro das Finanças Schäuble a fazer de polícia mau, pediu ao senhor Jean-Claude Juncker que fizesse de polícia bom, abrindo o caminho, e depois ela conseguiu o acordo a meio caminho. O que é que foram as medidas que o governo grego apresentou há dois dias que foram aprovadas por todo o Eurogrupo? É a reforma do Estado, rever o sistema fiscal, a eficiência fiscal, o combate à fraude, rever o sistema da segurança social, é a reforma do Estado. Portanto, isto não é nenhuma cedência. E acabou a austeridade pura e dura: a partir de agora, vai haver disciplina orçamental com certeza, rigor orçamental mas a teoria da austeridade pura e dura como única solução para as crises dos países do Sul da Europa acabou, morreu. Como morreu a Troika.

Exageros e imprecisões devidamente ressalvados, por serem essencialmente irrelevantes no cômputo geral da justeza última análise produzida, lá tivemos mais um “senador” – e de linhagem conservadora! – a pôr alguns pontos nos ii emitindo sem rebuço certas verdades que estavam a precisar de ser vigorosamente realçadas cá na nossa terra. O que pensará o PS sobre isto?

Sem comentários:

Enviar um comentário