terça-feira, 21 de julho de 2015

ANGELA E WOLFGANG ASSUMEM FINALMENTE?


A foto é já um clássico, visto que ocupou inúmeras capas de jornais em quase todos os lugares do mundo. O assunto propriamente dito tem ainda muito de grande enigma, uma vez que as opiniões se dividem entre Merkel e Schäuble terem andado num jogo combinado de “polícia bom, polícia mau” em relação aos gregos ou estarem profundamente divididos sobre a estratégia a adotar na matéria (evitar ou forçar um “Grexit”, respetivamente).

Claro que Merkel e Schäuble também são as caras de diferentes expressões de interesses alemães. Mas, no caso vertente, talvez que a dimensão pessoal até possa sobrelevar. Porque a chanceler não se pode permitir uma perversamente histórica colagem do seu nome a uma eventual desagregação da União Monetária e correlativo fim do Euro. E porque Schäuble – já por demais traumatizado pelo atentado de 1990 em que um tiro na coluna vertebral o condenou à cadeira de rodas – nunca digeriu, nem alguma vez conseguirá digerir, os idos de 2000 em que, após diversas evasivas e tergiversações no contexto de um escândalo de dimensão nacional, foi forçado a admitir um minimalista recebimento de 100 mil marcos do “empresário” Karlheinz Schreiber para financiamento da CDU e, de seguida, a abandonar a presidência do partido (que ocupava desde a derrota eleitoral de Kohl em 1998) em favor de Merkel – temos assim um delfim que, perseguido pela má sorte e pelos deveres de ofício (e certamente não só...), caiu em desgraça e não levou a sua carreira política mais longe do que ter sido um imenso favorito ao poder máximo na Alemanha. A prova das marcas schäublianas está na sua entrevista desta semana ao “Der Spiegel” e, em particular, no parágrafo de resposta que abaixo reproduzo em conjunto com o significativo cartaz da época em que os dois protagonistas da atualidade, então em posições invertidas (ele presidente da CDU, ela sua secretária-geral), se apresentavam confessando explicitamente diferenças mas desvalorizando-as por enquadradas numa preferencial rota comum.

Pouco ou nada me espantaria que esta fissura longamente contida pudesse vir a abrir um rombo político de peso na aparentemente consensual política interna alemã destes dias. Com inevitáveis implicações por essa Europa fora...

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