quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FOI ESTE O PAÍS BRILHANTE QUE NOS PINTARAM?




(Sim, eu sei que a época não é propícia a chamadas de atenção, mas uma pitada de realismo não nos ficará mal)

Cheguei a estes números através de uma intervenção de Fernando Teixeira dos Santos na RTP 3 em debate com Jorge Braga de Macedo e Ricardo Mamede.

A evolução do crédito vencido, seja de sociedades não financeiras, seja de devedores particulares, é um bom indicador da situação macroeconómica real. Ele pode representar uma de duas coisas: dificuldades de cumprimento de compromissos que constituem um indicador indireto de quebra de rendimento, situações precárias de presença ou mesmo de ausência do mercado de trabalho; ou então representam as responsabilidades de laxismo das instituições bancárias na concessão de crédito, não ponderando as taxas de esforço e a capacidade de absorção por parte das empresas e famílias.

O Boletim Estatístico de dezembro do Banco de Portugal permite-nos acompanhar a progressão no tempo de dois indicadores: (i) o rácio de crédito vencido (percentagem de crédito não reembolsado nas datas de vencimento em relação ao crédito total concedido) de famílias e sociedades não financeiras e (ii) a percentagem de sociedades financeiras e de famílias com crédito vencido (percentagem de empresas e famílias em incumprimento em relação ao total de empresas e famílias a quem foi concedido crédito). 


O comportamento dos dois indicadores, principalmente o das sociedades não financeiras é esclarecedor: o rácio de crédito vencido não para de aumentar, com a percentagem de empresas em situação de incumprimento a estabilizar nos dois últimos anos. Quanto às famílias, o rácio de crédito vencido também não para de aumentar embora a um ritmo menor, com a percentagem de famílias em incumprimento a descer muito ligeiramente.

Não foi este o panorama que nos pintaram. As dificuldades estão aí explícitas e compreende-se o círculo vicioso das empresas, com baixa autonomia financeira, forte vulnerabilidade ao crédito bancário e incumprimento que não pode ser ocultado. Matéria que faz parte dos trabalhos de casa que urge começar a organizar, tal como o meu colega de blogue o assinalou.

Feliz Natal, apesar de tudo.

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