terça-feira, 15 de abril de 2014

POBRES PASSOS


(João Fazenda, http://visao.sapo.pt)

Passos esteve uma hora em entrevista à SIC e, uma vez mais, nada saiu daquela cabecinha que pudesse fazer um mínimo de chispa nos habitantes da deprimida barca de que se afirma timoneiro irredutível. Perante um José Gomes Ferreira igual a si próprio – muita parra e pouca uva ou, talvez mais pertinentemente, muito ladrar para nada morder –, assim esteve a prestação do nosso querido líder: um sujeito sempre assustado, embora conseguindo aparentar mais confiança hoje do que há um tempo atrás; um político confrangedoramente impreparado, embora tentando fazer-se passar por um missionário cheio de convicções; um chefe de governo nitidamente obrigado a correr atrás de uma narrativa que foi lentamente incorporando on job.

Pobre, paupérrimo, a um ponto de quase ternurenta infantilidade. Passo a ilustrar com recurso aos rodapés da própria SIC. “Se for preciso pagar um preço elevado para salvar o país, eu não me importo”, disse do alto da sua incomparável coragem pessoal. “Qualquer que seja o resultado das eleições não fico a dizer que sou o maior ou o pior”, clarificou do alto da sua inexcedível frontalidade. “As pessoas têm de demonstrar que precisam realmente de receber as prestações sociais”, afirmou do alto da sua inquebrantável verticalidade de princípios. “Ele [Portas] não tem estado a fazer turismo ou a fugir da situação nacional”, explicitou do alto da sua proverbial inteligência política. “Nós não maquilhamos as contas, 14,8% é a meta que a Troika entendeu realista”, sublinhou do alto da sua disciplinada obediência funcionária. “Ao longo de três anos falámos tanto de salários e pensões que isso nos impediu de ver o resto”, lamentou do alto da sua mais distinta lata. “Não conseguimos ter uma medida pronta e mantivemos cortes do Governo de Sócrates”, mentiu grosseiramente do alto da sua incomensurável falta de vergonha.

E os cortes definitivos dos salários públicos e das pensões lá ficaram confirmados, não se pergunte é como e quanto. Como foi possível este País descer tão baixo?

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