segunda-feira, 18 de março de 2013

ULRICH NÃO SE AGUENTA…

 
 Ainda a propósito do último “Quadratura do Círculo”, onde Fernando Ulrich ocupou o lugar de Lobo Xavier. E, a dada altura, José Pacheco Pereira não lhas poupou: “Eu acho que o problema é que ‘não aguentam’. (…) Mas não aguentam porque o empobrecimento quebra o tónus de uma sociedade, destrói os mecanismos da sociedade e, desse ponto de vista, isso não se pode dizer. E não se pode dizer, acima de tudo, a partir de uma posição de poder. Porque como hoje há claramente uma cogestão do País entre (…) certos setores do poder político e a banca (…). E esta incompreensão de que nós estamos a deitar fora o menino com a água do banho, e portanto ‘não aguenta’, só pode dar torto. Eu acho que vai dar torto.
 
Ulrich, esse, lá meteu o rabo entre as pernas e concordou com tudo. Que sim e que a culpa desse incidente “aguentativo” foi de quem lhe tirou as declarações de contexto. E, embalando, que é extremamente difícil sairmos desta situação sozinhos e que até defende um Plano Merkel para a Europa do Sul, que é inexorável a degradação da situação social da população sem pormos a economia a crescer, que não acredita que podemos sair da crise só com políticas macroeconómicas e de mercado, que há necessidade de atuações voluntaristas e de mobilizar os esforços de todos (desde logo ao nível da criação de emprego e do investimento), que se revelou errada a ideia de um encadeamento automático entre a austeridade e um processo de crescimento económico virtuoso, que a sociedade portuguesa está triste, descrente e sem energia…
 
Mas, espertalhão e sibilino, não conseguiu conter-se e evitar um renovado ato de “meter a foice em seara alheia”. E lá deixou no ar um outro motivo de envenenamento alaranjadamente partidário da opinião pública. Assim: “Tenho esperança que venhamos a constatar amanhã que, armado do reforço da credibilidade que conquistou ao longo destes dois anos – com enormes custos de vários pontos de vista, estou de acordo –, o Governo negociou de uma forma mais dura com a Troika. É a minha convicção, e portanto eu penso que aqueles que estão a fazer oposição apenas dizendo que negociariam melhor, provavelmente vão perder esse espaço a partir de amanhã. Vão perceber, a partir de amanhã, que quem tem melhores condições para ocupar esse espaço é o atual Governo e, em particular, o atual ministro das Finanças.” Quem o feio ama, bonito lhe parece…

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