domingo, 5 de janeiro de 2014

AINDA A COLIGAÇÃO ALEMÃ


Só agora tive acesso aos termos exatos do tratado de coligação entre a CDU de Merkel e os seus tradicionais parceiros da CSU, por um lado, e os social-democratas do SPD, por outro. Uma boa oportunidade, portanto, para explicitar mais alguns fundamentos para o que já aqui designei por colaboração ativa na desconstrução europeia.

Sobre a Europa, e entre várias considerações debaixo do sugestivo subtítulo Starkes Europa (um curioso decalque do slogan de campanha de Merkel, Deutschland ist stark, ou seja, “A Alemanha é forte”), pode ler-se que “as regras da economia social de mercado que deram as suas provas devem constituir o esqueleto da união económica e monetária do futuro”. Nada mais, nada menos do que a consagração germanicamente consensualizada, bem preto no branco, da funesta ideia de uma “Europa alemã”.

O compromisso igualmente assumido no sentido de uma coordenação mais apertada das políticas económicas no quadro europeu, e apresentado sob a forma de uma defesa intransigente de que “os Estados da Zona Euro concluam ao nível europeu acordos de reformas vinculativos, exequíveis e democraticamente legitimados”, constitui uma clara materialização daquela ideia.

Sendo que a assinatura de Sigmar Gabriel também sancionou, ao arrepio do que tantas vezes ele e vários outros camaradas foram proclamando, a seguinte pérola: “Cada forma de mutualização dos riscos ligados às dívidas públicas poria em risco o indispensável ajustamento das políticas nacionais em cada um dos Estados membros”. Nada de eurobonds pois, e sem apelo nem agravo!

Tudo visto e ponderado, o documento dedica menos de 6% das suas páginas (11 de 185) à questão europeia – tristemente secundarizada face a uma arrasadora supremacia dos temas internos (nem todos tão diferenciadores como a institucionalização de um salário mínimo ou da dupla nacionalidade para filhos de emigrantes) ou de matérias negociais com impacto determinante em termos de distribuição de lugares e poderes relativos (explícitos ou talvez também implícitos, como poderá ser o caso de um eventual apoio à candidatura de Martin Schulz à presidência da Comissão).

O futuro dirá e a História julgará…


 (Tomasz Walenta, http://www.presseurop.eu)

(Gianni Chiostri, http://www.lastampa.it)

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