terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DEUS NOS DÊ SAÚDINHA



Não há ranking de governantes, seja em termos de popularidade ou de avaliação do trabalho feito, que não coloque Paulo Macedo no top. Daí que a entrevista da presidente da Comissão Executiva da Espírito Santo Saúde, ontem publicada pelo “Diário Económico”, mereça uma especial saliência pelo seu cauteloso mas assumido criticismo.

Disse Isabel Vaz: “Um sistema universal e equitativo tem de ser visto do lado de como se financia a saúde em Portugal e aí é que há muito trabalho para fazer. Mais do que criticar Paulo Macedo por aquilo que tem ou não feito na área da prestação, no financiamento é que o trabalho foi zero. Não foi só Paulo Macedo, mas todos os ex-ministros que se recusam a ver este problema. Há falta de estratégia no financiamento global do sistema de saúde. Temos um sistema, contrariamente aos outros países na Europa, em que mais de 37% do financiamento é feito pelas famílias. É um sistema incoerente, com duplas coberturas, ineficiente do ponto de vista económico e que configura a diferenciação de acesso entre as pessoas que têm seguro de saúde ou a ADSE e as que não têm.

O assunto tem pano para mangas. Quer no plano da gestão, área de que o ministro é proveniente e da qual se reclama, sobretudo em termos de se avaliar se a indiscutível eficácia governativa no cross-cutting se faz acompanhar de melhorias organizacionais com real significado e de uma capacidade de definição estratégica que indicie uma liderança de qualidade. Quer no plano dos interesses, que a entrevistada obviamente não dissimula (“Paulo Macedo passou muito tempo dos dois primeiros anos de mandato a tirar as rendas ditas excessivas da indústria, do sector convencionado do Estado, das farmácias que passaram de bom negócio a mau negócio... É preciso agora também ver esse tipo de reforma dentro do SNS.”). Quer no plano mais substantivo de uma devida, justa e crescente satisfação das necessidades vitais dos cidadãos, razão última do serviço público. Regressarei ao assunto, convicto de que terei conseguido ilustrar que ele vale bem uma missa...

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