terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CALVO E LÚCIDO



O FreeExchange do Economist iniciou um estimulante debate sobre os riscos de deflação na União Europeia. A revista não pode ser conotada com qualquer conspiração contra as instituições europeias, pelo que o significado do lançamento do debate em pleno janeiro de 2014 deve ser sublinhado. Enquanto que as personalidades pardas da União Europeia se esforçam por branquear o desacerto que mina o projeto europeu e transforma países penitentes em heróis redimidos, Guillerme Calvo (ColumbiaUniversity) analisa com inteligência os riscos de deflação. Em primeiro lugar, Calvo analisa as consequências de uma eventual recuperação económica e subida das taxas de juro nos Estados Unidos sobre movimentos de saída de capitais seja da União Europeia, seja das economias emergentes. Se o movimento de saída de capital atingir essencialmente o espaço europeu (o que pode não acontecer), com um BCE avesso (a Alemanha assim o impõe) a qualquer risco inflacionário então o risco pode ser o fortalecimento do euro e a deflação. Calvo entende como letal o risco de a um fortalecimento do euro poder juntar-se a deflação. Não só a deflação aumenta a dívida em termos reais, como a expectativa de que os preços continuem a descer é elevada. O primeiro efeito perturba os fluxos de crédito e a segunda tende a reduzir a procura agregada.
Calvo sintetiza a questão pondo em evidência que a recuperação europeia está dependente das suas próprias debilidades estruturais e do papel crescente que os mercados emergentes tenderão a assumir. De qualquer modo, não é tempo para branqueamentos. É tempo para atacar as debilidades da arquitetura europeia.

Sem comentários:

Enviar um comentário