domingo, 10 de maio de 2015

UMA TARDE COM O PS E A EDUCAÇÃO



Numa tarde que convidava a ar livre, respondi positivamente ao convite para estar presente num dos painéis da iniciativa Educação – Valorizar as Pessoas, centrado sobre a formação superior e sobre o que uma governação alternativa liderada por António Costa poderá fazer de diferente em relação ao descalabro da maioria.

O painel era simpático e prometia: Rosário Gambôa, Presidente do Instituto Politécnico do Porto; José Mendes, Vice-reitor da Universidade do Minho; Pedro Teixeira, Vice – Reitor da Universidade do Porto; Daniel Freitas, estudante, Presidente da Federação Académica do Porto, lugar por onde já passou Fernando Medina hoje Presidente da Câmara de Lisboa e este vosso servidor.

Organizei a minha intervenção na perspetiva de quem pensa o sistema de formação superior a partir das relações entre educação e desenvolvimento, sobretudo colocando a questão “o que é que a educação superior pode contribuir para o processo de mudança estrutural da economia portuguesa, rompendo com arcaísmos e fatores de subdesenvolvimento e para uma afirmação mais equilibrada no contexto europeu”. Procurei mostrar que a formação superior tem de ser sempre ambivalente, reativa e em linha com as necessidades reveladas de qualificações expressas pelos indivíduos, pelas empresas e pelos sistemas públicos e proativa, antecipando qualificações ainda não reveladas, profissões ainda não inventadas e servindo a navegação profissional. E alertei para a necessidade de uma governação alternativa contribuir para a erradicação de três mitos em torno da educação superior: o mito da sobreducação, o mito que o sistema de ensino superior é um sistema binário e que os problemas de financiamento do ensino superior se resolvem apenas no quadro do orçamento do Ministério de Educação. Discuti ainda o que parece ser uma corrente emergente em algumas economias avançadas como a dos EUA de contrariar a formação excessivamente especializada em contextos tecnológicos rapidamente obsoletos e abrindo caminho à combinação com as velhas artes liberais, impulsionando a criatividade, a transdisciplinaridade, a integração de conhecimentos, a flexibilidade curricular.

E, no fundo, todos esperavam a intervenção em plenário final de António Costa, que acabou por realizar uma das suas mais incisivas intervenções dos últimos tempos, muito na linha do reacendimento da paixão da educação, com os vetores de aposta no insucesso escolar, da formação de adultos e da educação superior, sempre na linha da defesa da escola pública, dos valores da igualdade de oportunidades, da valorização da cidadania e da absoluta necessidade de pacificação das escolas, da destruição das baias burocráticas, da remotivação de educadores e professores e da valorização da ciência numa sentida homenagem à visão estratégica de Mariano Gago, que empolgou o auditório completamente cheio do Conservatório de Música do Porto.

As hostes estavam animadas e um Costa confiante e empolgado pelo reacender da paixão da educação deixou o auditório com alguma esperança. Temos homem.

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