Que tempos estes em que o Interesse Privado, Ação Pública
se transforma em obituário dos grandes que nos vão deixando.
José Silva Lopes é um nome incontornável da política
macroeconómica em tempos de democracia, um espírito crítico e por vezes
contundente, nos últimos tempos mais amargo, que nunca hesitou em criticar os
interesses rentistas, as reivindicações desproporcionadas, em denunciar as
insustentabilidades, a influência da partidarite no racional da política pública.
Paul Krugman dedica-lhe hoje no New York Times o seu blogue e isso põe em evidência o prestígio que Silva Lopes tinha entre os macroeconomistas
que visitaram Portugal desde o advento da democracia. Krugman destaca o seu espírito
de humor desde os tempos de 1976, em que a economia portuguesa atraiu outros
economistas como Lance Taylor. Alguns textos seus são ainda hoje uma referência
da história económica portuguesa recente. Trabalhou e manteve pensamento lúcido
até aos seus últimos aparecimentos, onde se destaca a sua participação num
longo artigo coletivo que publicou no Público com alguns colegas de geração,
como a Dra. Manuela Morgado.
Pessoalmente, devo-lhe um convite para participar numa
conferência sobre políticas de emprego organizada pelo Conselho Económico e
Social que ele dirigia com competência e ânimo. Recordo um almoço que me
ofereceu no Conventual, em que falámos da Conferência e das suas esperanças
para a mesma, mas sobretudo discutimos o encucamento dos economistas que
trabalhavam em torno da Faculdade de Economia do Porto, a sua incapacidade para
adquirir mais visibilidade e notoriedade e outras matérias mais heterodoxas.
Vamos ter saudades da sua presença regular, desarmando a
pergunta fácil de José Gomes Ferreira ou de outro jornalista economicamente
iletrado.
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